28/07/2026

ESTADÃO DIZ QUE EQUIPE ECONÔMICA DE LULA 'PERDEU O PUDOR'

Equipe econômica de Lula 'perdeu o pudor', diz Estadão

A equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), liderada por Dario Durigan desde que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) deixou o cargo para concorrer a governador de São Paulo, “perdeu o pudor” e vem lançando mão de uma série de medidas eleitoreiras com o único objetivo de reeleger Lula para um novo mandato. A afirmação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado nesta segunda-feira, 27.

De acordo com a publicação, a julgar pelos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, “o arsenal de medidas eleitoreiras lançadas pelo governo Lula para reverter o mau humor do brasileiro tem cumprido seu objetivo”.

“Nenhuma novidade: presidentes em busca da reeleição usam descaradamente a máquina em seu favor. O que chama atenção é a atitude da equipe econômica – que abandonou a discrição que deveria ter em razão do caráter técnico de sua atividade e passou a atuar abertamente como um braço da campanha do petista”, afirma o Estadão.

No editorial, o jornal cita estudos produzidos pelo Ministério do Planejamento e Orçamento que expressariam “a essência do negacionismo econômico lulopetista”.

Um dos textos, diz o Estadão, cujo título é “Impacto de medidas de crédito no emprego, renda e arrecadação: uma abordagem via matriz insumo-produto”, enaltece “o efeito multiplicador em termos de desenvolvimento econômico e social de ações como a expansão do Minha Casa Minha Vida, o Reforma Casa Brasil, os financiamentos subsidiados para aquisição de caminhões, ônibus e veículos e as linhas de créditos para a indústria e bens de capital verdes, ao mesmo tempo em que menospreza os riscos que essas medidas impõem às contas públicas”.

“A lógica da equipe econômica é tortuosa. Ainda que, por hipótese, se admita que a intenção do governo não fosse estimular a demanda por meio dessas medidas – e sim conter o repasse do choque energético à inflação, deslocar renda para o pagamento de dívidas, desafogar o crédito setorial de médio e longo prazo, atacar o déficit habitacional e promover o aumento de investimentos, da produtividade e da sustentabilidade, como dizem os estudos –, é óbvio que essas ações acabam por incentivar o consumo”, prossegue o jornal. “E isso é, sim, um problema em um país com inflação pressionada, economia aquecida, desemprego baixo e juros nas alturas.”

No texto, o Estadão afirma ainda que os estudos elaborados pelo atual governo para subsidiar medidas de caráter claramente eleitoreiro “se destinam unicamente a defender o governo contra críticas ao uso de medidas parafiscais, ou seja, manobras para financiar programas com receitas financeiras e evitar impacto primário imediato, chancelando o discurso de cumprimento da meta fiscal, ainda que o aumento da dívida na proporção do PIB seja incontestável e escancare a necessidade de um inevitável ajuste em 2027”. “Mas isso não estará escrito em nenhum documento deste governo”, conclui o jornal.

revistaoeste

Nenhum comentário: