01/05/2026

COMBUSTÍVEIS VOLTAM A SUBIR NA REFINARIA DO RN

Preços da gasolina e do diesel voltam a subir em refinaria do RN

Os preços da gasolina A e do diesel A S500 nas duas modalidades comercializadas no Rio Grande do Norte aumentaram na refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré. Os valores foram divulgados nesta quinta-feira (30) pela Brava Energia.

Nesta semana, a gasolina A teve alta de R$ 0,25, passando de R$ 3,77 para R$ 4,02 por litro. Já o diesel A S500 subiu nas duas modalidades. Na modalidade EXA, o preço passou de R$ 5,24 para R$ 5,56, um aumento de R$ 0,32 por litro. Na modalidade LCT, o preço do litro de diesel subiu R$ 5,25 para R$ 5,57, um acréscimo de R$ 0,32.

Em nota, a Brava afirma que eventuais ajustes nos preços adotam critérios técnicos. Os preços “seguem parâmetros de mercado - tais como o dólar, o valor de referência internacional do petróleo e custos logísticos para recebimento de derivados na região Nordeste”, diz a companhia.

Além disso, a Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA), anunciou aumento no preço da gasolina nesta quinta-feira (30). A refinaria também abastece postos no RN. A Acelen elevou o preço do produto puro em R$ 0,3933 por litro – hoje, custando R$ 4,24.

Os aumentos anunciados ainda não se refletiam em postos de Natal na tarde desta quinta-feira (30). O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos-RN) explica que, na cadeia de produção dos combustíveis, a refinaria vende para as distribuidoras, que revendem aos postos. “Como os preços em toda a cadeia são livres, não podemos precisar nem quando, nem quanto esse aumento vai chegar no bolso do consumidor”, diz a entidade.

As altas seguem uma tendência influenciada pelo preço internacional do petróleo, especialmente o barril Brent, acima de US$ 100, impulsionado por tensões no Estreito de Ormuz. Segundo o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN, o cenário internacional segue como principal fator dos reajustes.

“No RN, o efeito é mais intenso devido ao abastecimento por refinarias privatizadas, que seguem mais de perto os preços internacionais. Isso resulta em reajustes mais rápidos e, em geral, mais elevados do que os praticados pela Petrobras”, explica.

Néo afirma que o repasse tende a ocorrer de forma gradual, entre 24 e 72 horas, conforme os postos renovam seus estoques – embora alguns façam esse repasse mais rapidamente. “Portanto, a tendência predominante é de repasse quase integral dos aumentos ao consumidor final, especialmente em um ambiente de alta recorrente”, observa.

O impacto dos reajustes pode ser direto ou indireto, diz o economista. Diretamente, há aumento no preço dos combustíveis nas bombas, o que pressiona o orçamento das famílias; indiretamente, o efeito é mais amplo: “o diesel, por exemplo, é um insumo essencial para o transporte de cargas. Isso gera um efeito em cadeia sobre a inflação, pressionando índices como o IPCA. No RN, onde a renda média é menor e a dependência do transporte rodoviário é elevada, o impacto no custo de vida tende a ser ainda mais perceptível”, diz Néo.

O contador Luan David, 33, relata que o preço da gasolina segue sem alteração nos postos de Natal. Ele teme um possível aumento diante do reajuste nas refinarias. “Seria um absurdo, mas ainda bem que os elétricos estão chegando aí. Daqui a uns dias a gente não precisa mais usar gasolina”.

Já a motorista por aplicativo Liliane Oliveira, 34, afirma que notou preços baixos para o combustível nos últimos dias. Um possível aumento, segundo ela, iria limitar os ganhos do seu trabalho. “Seria horrível, porque já não está barato, e aumentar mais ainda pesa no nosso bolso”, frisa.

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