Banco Central impõe sigilo de 8 anos sobre Caso Master
O Banco Central do Brasil impôs sigilo de 8 anos sobre os documentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master. O sigilo foi determinado em novembro do ano passado, mas a informação foi confirmada apenas nesta segunda-feira (06).
De acordo com a restrição, o acesso público aos dados ficam impedidos até 2033. A decisão foi tomada pelo presidente da instituição financeira Gabriel Galípolo. Segundo o BC, a divulgação dos documentos contraria o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país.”
Ainda de acordo com o BC, a divulgação dos documentos podem comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.
O ex-banqueiro Daniel Vorcro, dono do Banco Master, está preso em Brasília desde o início de março. Ele voltou a ser preso durante a terceira fase da operação Compliance Zero. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Caso Master
O Banco Master ganhou este nome em 2021, após uma capitalização da Corretora Máxima, fundada na década de 1970. Sob a gestão de Vorcaro, os ativos do conglomerado bancário passaram de R$ 3,7 bilhões, em 2019, a R$ 82 bilhões, em 2024.
O crescimento exponencial foi alavancado pela emissão de Certificados de Depósitos Bancários (CDB). Investimento popular entre pessoas físicas, esses títulos são emitidos como renda fixa, ou seja, o cálculo da rentabilidade é definido previamente.
Por ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o CDB é considerado um investimento seguro. Contudo, o banco de Vorcaro prometia uma rentabilidade muito acima da média do mercado. Enquanto muitos bancos oferecem CDBs que pagam 100% da taxa de juros, o Master propunha retornos a 140%. Na prática, os altos valores traziam risco aos credores, e a conta acabava sendo passada ao FGC.
"O plano de negócios, desde 2018, que entregamos ao Banco Central, era baseado no FGC. O plano do Banco Master era 100% atrelado ao fundo, e não havia nada de errado nisso. Era a regra do jogo", disse Vorcaro à PF.
Segundo os investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos para sustentar este modelo e a intensa demanda de 1,6 milhão de clientes acumulados no período, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.
Ativos inflados por meio de fundos
Os primeiros sinais de problemas de caixa do Master surgiram entre 2023 e 2024, quando o banco passou a buscar alternativas para preservar a saúde de seus balancetes. Nesse período, o conglomerado teria movimentado valores bilionários por meio de triangulações. Na prática, financiava a si mesmo, fazendo o dinheiro circular por diversos fundos de investimento antes de retornar ao próprio banco, afirma o Banco Central.
A autarquia identificou que, para isso, o banco emprestava recursos a empresas recém-fundadas, supostamente controladas por laranjas. Essas companhias aplicavam o dinheiro em fundos da Reag Investimentos – hoje chamada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários –, o que retirava as cifras do balanço do banco e as transferia ao mercado de capitais.
Em questão de minutos, o dinheiro circulava por fundos ligados aos mesmos intermediários e, por fim, era usado para comprar ativos de baixo ou nenhum valor real, como letras de crédito do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc). Nesse caso, porém, os títulos seriam inflados, segundo a investigação. O fundo High Tower, por exemplo, teria adquirido R$ 850 milhões em carteiras do Besc, mas declarou que valiam R$ 10 bilhões.
O vendedor desses papéis então aplicava os recursos em novos fundos, pulverizando o dinheiro proveniente do banco de Vorcaro, diz a investigação. A suspeita é que, em algum momento, os montantes agora inflados eram reinvestidos em CDBs do próprio Master.
Seis fundos da Reag foram considerados suspeitos pelo BC, com patrimônio total de R$ 102,4 bilhões. A distribuidora de investimentos, que nega qualquer irregularidade, também foi liquidada pela autarquia.
Em novembro de 2024, o modelo de negócios teria ficado insustentável, diz nota técnica do BC. O Master já não conseguia o retorno previsto para pagar os investidores de seus títulos CDB.
Para tanto, a PF indica que o banco teria passado a emitir novos CDBs para pagar os investidores antigos, o que poderia ser equiparado a um movimento de pirâmide financeira. Mas com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade, a captação secou e o caixa entrou em colapso. O banco passava por uma crise reputacional.
Band

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