04/04/2026

'GERAÇÃO Z' PODE ATRAPALHAR REELEIÇÃO DE LULA

Por que a geração Z não faz o ‘L’ e como isso pode atrapalhar o projeto de reeleição de Lula

Desde o fim da ditadura no Brasil, os eleitores jovens sempre formaram uma base segura para candidatos e partidos de esquerda. Foi assim em todas as eleições presidenciais desde 1989 até 2022. No pleito em que Lula derrotou Jair Bolsonaro e conquistou seu atual e terceiro mandato, ele exibia o maior percentual de intenção de voto, de todas as faixas etárias, justamente entre os votantes com idades entre 16 e 24 anos. Em março daquele ano, o Datafolha indicava que 62% dos eleitores jovens declaravam voto no petista em um eventual enfrentamento com Jair Bolsonaro no segundo turno. Segundo as pesquisas recentes, esse cenário favorável mudou drasticamente na corrida ao Palácio do Planalto neste ano. No último levantamento do Datafolha, em março, o percentual, num hipotético confronto com Flávio Bolsonaro (PL), caiu para 43%.

Essa queda não foi por falta de tentativa do petista de agradar ao eleitorado jovem. O governo Lula tem se esforçado para emplacar leis e programas sociais que atendam a essa fatia da população. Em 2024, por exemplo, foi lançado o Programa Pé-de-Meia, que recompensa alunos de baixa renda na rede pública pela frequência e conclusão do ensino médio. No mesmo ano, foi relançado o Projovem, voltado à qualificação profissional de quem tem 18 a 29 anos e não concluiu o ensino fundamental. Mais recentemente, as iniciativas voltadas a esse público têm engrossado: no final de março, o governo instituiu o Observatório Nacional das Juventudes, ligado à Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo ministro Guilherme Boulos (PSOL), para estudar as demandas desse segmento da população, e Lula participou nesta semana de um evento em comemoração aos 21 anos do ProUni, programa de bolsas de estudo em faculdades privadas, criado no seu primeiro governo. Ele aproveitou para anunciar a ampliação da rede de cursinhos populares.

As medidas do governo não parecem capazes de sensibilizar o público-alvo. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada no mês passado mostra que 73% dos eleitores com 16 a 24 anos desaprovam o governo Lula, muito longe da média da população geral, em que a rejeição é de 53%. Para Yuri Sanches, diretor político da AtlasIntel, os jovens não têm a memória dos mandatos anteriores do PT, quando programas sociais como o Bolsa Família eram novidade e a economia andava em ritmo bem mais forte, beneficiada pelo boom de commodities. “Esses jovens cresceram ouvindo sobre os governos petistas, e essa foi a primeira oportunidade de experimentar em primeira mão, só que o contexto é diferente, tanto em ambiente informacional quanto em questões estruturais”, diz Sanches. O resultado é a decepção.

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