A mudança de tom de Lula em relação a Alckmin: quais as chances de o vice atual deixar de ser o vice na chapa de 2026?
Até o fim do ano passado, dirigentes graúdos do PT e ministros próximos de Lula repetiam uma espécie de mantra quando perguntados se Geraldo Alckmin seria o vice novamente na corrida do presidente pela reeleição:
— O Geraldo ganhou tanta confiança do Lula pela lealdade que mostrou neste mandato, que ele será o que ele quiser ser. Se quiser ser vice, será; se quiser, concorrer a algum cargo por São Paulo, concorrerá.
Não mais. Esse mantra envelheceu mal e com rapidez.
O jogo agora é outro. Há um grupo no PT negociando a possibilidade de vice para o MDB. Tudo feito com o aval de Lula.
O PSB não está confortável. Ainda não externou isso publicamente. Mas certamente o descontentamento estará no centro da conversa já marcada entre Lula e João Campos, o presidente do partido de Alckmin. Não será no sábado, em Salvador, em meio aos festejos pelo aniversário de 46 anos do PT, onde os dois se encontrarão. Mas ocorrerá muito em breve. O encontro já foi marcado.
A julgar pela declaração de Lula ontem em entrevista ao UOL pode não ser uma conversa fácil. Disse Lula:
— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo, eles sabem. (...) Acho que a gente pode ganhar as eleições em São Paulo se a gente escolher um candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet.
O PSB confia que a estreita relação que já existe historicamente com o PT e ainda a que está construindo para a eleição deste ano, contará pontos para a decisão sobre a vice-presidência. PSB e PT serão aliados em 16 estados, incluindo São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais.
Confia também que Lula, no fim das contas, respeitará o desejo de Alckmin. E o que quer Alckmin? Quer ser vice. E aos mais próximos já disse que não vai disputar eleição em São Paulo. Se não rolar continuar como vice, não disputará eleição. E o fará o seu jeito: anunciando que vai se retirar da política, mas que fará campanha por Lula à reeleição.
O Globo

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