04/02/2026

AÍ TEM 'COISA'...

Justiça libera nova perícia sobre queda de avião que matou Eduardo Campos

Exame judicial vai reavaliar acidente aéreo ocorrido em 2014, durante campanha presidencial

A Justiça Federal autorizou a realização de uma perícia judicial para investigar novamente as circunstâncias do acidente aéreo que resultou na morte de Eduardo Campos, em 2014. A decisão foi tomada no âmbito de uma ação de produção antecipada de provas que tramita na 4ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, nesta segunda-feira, 2.

O juiz responsável pelo caso designou o perito Silvio Venturini Neto para conduzir o exame técnico. Ele deverá apresentar, no prazo de 15 dias, uma proposta com estimativa de honorários e um plano detalhado dos trabalhos, incluindo a metodologia que será adotada. A perícia terá como foco a queda do jato que transportava o então candidato à Presidência da República, que havia partido do Rio de Janeiro com destino ao litoral de São Paulo.
Contestação aos laudos oficiais

A ação judicial foi proposta pelo advogado Antônio Campos, irmão de Eduardo Campos, em conjunto com Ana Arraes, mãe do ex-governador de Pernambuco. Ambos questionam o laudo elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), além do relatório da Polícia Federal, que não apresentou conclusão definitiva sobre as causas do acidente.

Durante o andamento do processo, a União argumentou que a apuração de acidentes aéreos seria atribuição exclusiva do Cenipa e da Polícia Federal. Esse entendimento, porém, foi afastado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que reconheceu a possibilidade de ações judiciais específicas para produção de provas em casos desse tipo.

Fabricante da aeronave foi notificada

A tramitação do processo incluiu ainda a notificação da Textron, holding sediada nos Estados Unidos e controladora da fabricante das aeronaves Cessna Citation. O procedimento internacional demandou cerca de um ano para ser concluído, em razão dos trâmites legais necessários para comunicação formal da empresa.

Um parecer técnico apresentado pelo assistente dos autores da ação, o comandante Carlos Camacho, apontou indícios de possível falha no profundor do compensador. Esse componente é responsável por orientar o leme da aeronave para cima ou para baixo. Segundo o documento, o eventual defeito poderia ter sido causado de forma intencional ou não, hipótese que motivou o pedido de nova perícia.

Relembre a morte de Eduardo Campos

Eduardo Campos morreu na manhã de 13 de agosto de 2014, aos 49 anos, após a queda do jato particular em que viajava em um bairro residencial de Santos. O acidente ocorreu por volta das 10h, durante uma tentativa de pouso em meio a chuva intensa, conforme informações divulgadas à época pela Aeronáutica.

A aeronave, um Cessna 560XL, havia decolado do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Aeroporto de Guarujá. Diante das condições meteorológicas adversas, o piloto realizou uma arremetida. Pouco depois, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião, que caiu no quintal de uma residência no bairro do Boqueirão.

Moradores relataram ter visto uma bola de fogo no céu no momento da queda. Os destroços atingiram imóveis vizinhos e provocaram ferimentos leves em dez pessoas, todas atendidas e liberadas posteriormente.
Vítimas e repercussão nacional

Sete pessoas estavam a bordo da aeronave, incluindo cinco passageiros e dois tripulantes. Nenhum sobreviveu. Além de Eduardo Campos, morreram o fotógrafo Alexandre Severo e Silva; o assessor Carlos Augusto Leal Filho; o assessor e ex-deputado federal Pedro Valadares Neto; o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra; e os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins.

Após o acidente, a Polícia Federal instaurou inquérito e enviou peritos a Santos. A Aeronáutica e a Polícia Civil também participaram das investigações. A análise da caixa-preta foi realizada pelo Cenipa, em Brasília.

Na ocasião, a então presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias. Candidatos adversários na disputa eleitoral, como Aécio Neves, cancelaram compromissos de campanha. Eduardo Campos havia deixado o governo de Pernambuco em abril de 2014 para concorrer à Presidência, tendo Marina Silva como vice. Ela terminou a eleição em terceiro lugar, com 21,32% dos votos válidos, o equivalente a cerca de 22 milhões de votos.

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