08/04/2011

RECADO DO PEDRO



CEARÁ-MIRIM VAI ENCONTRAR ALGUÉM




Conversava com o jornalista Cassiano Arruda Câmara – editor e proprietário do Novo Jornal – quando este me perguntou se eu continuava mantendo ligações com Ceará-Mirim. Disse-lhe que as minhas raízes continuavam bem plantadas na cidade, mas que os meus interesses agora eram apenas culturais e afetivos.

Ele parou um pouco como se refletisse e me disse que alguém ainda encontraria Ceará-Mirim. Foi a minha vez de refletir sobre a aparentemente enigmática sentença de um dos mais privilegiados e competentes observadores e analistas da política do Rio Grande do Norte.

Entendi o que ele queria transmitir. Ou pelo menos julgo que sei como interpretar a aguda observação do meu amigo.

Ceará-Mirim hoje é uma terra de ninguém, um deserto político, um território sem consistência, indefeso, e portanto exposto a qualquer aventureiro que possua alguns recursos para consolidar a sua conquista.

Com a morte de Roberto Varela e o exílio voluntário de Geraldo Melo, Ceará-Mirim perdeu as suas mais expressivas lideranças, que se foram sem deixar sucessores. No caso de Roberto porque esse nunca cuidou de preparar quadros que pudessem herdar o seu patrimônio político, até mesmo porque a sua liderança era pessoal, carismática, e portanto, intransferível.

No caso de Geraldo Melo, um dos mais talentosos e brilhantes quadros políticos do nosso estado, porque ele se perdeu por absoluta falta de objetividade no seu projeto.

Primeiro, afastou-se do grupo que o apoiou na vitoriosa campanha que o conduziu ao governo do Estado. Depois, aliou-se - e sucessivamente rompeu - com o sistema que fazia oposição aos antigos aliados. E finalmente, optou por uma fórmula neutra, tangenciando os dois blocos dominantes, pondo-se, equivocadamente, no meu modesto entendimento, como “fiel da balança”, uma terceira força que não prosperou, até pela tradição de bipolaridade da política potiguar.

Enquanto isso prosseguiu, cometendo diversos erros de avaliação, na minha opinião, principalmente quanto às opções para a sua candidatura, desprezando uma vaga dada como certa para a Câmara Federal, para se aventurar na disputa majoritária, quando carecia de identidade político-partidária definida e de densidade eleitoral, sem considerar o confronto tradicionalmente bipolarizador.

Em relação a Ceará-Mirim, cometeu o mesmo erro estratégico de Roberto Varela, quanto à despreocupação com a formação de quadros dirigentes, com um agravante: instituiu uma oligarquia, com todas as virtudes e defeitos desse sistema, sobretudo os defeitos – resultando num processo continuísta que provocou a desagregação dos quadros partidários aliados, desestimulados pelo processo hereditário.

Resultado: veio o delegado Antonio Marcos Peixoto e elegeu-se Prefeito, menos por ele mesmo, do que beneficiado pelo vácuo deixado pelas oligarquias, sem nomes capazes de sensibilizar o eleitorado, depois de esgotadas as alternativas familiares.

Cassiano concluiu o seu raciocínio afirmando que Ceará-Mirim poderá encontrar alguém. Parece a mesma linha de raciocínio, não é? Mas enganam-se os que se deixarem confundir pelo jogo de palavras. Na primeira afirmação, alguém aproveita a abertura do diafragma para respirar usando o pulmão eleitoral da cidade.

No segundo, a própria cidade despertaria para uma solução encontrada pelos seus habitantes, que identificaria compatibilidade com determinado quadro a partir dos interesses comuns, relativos ao futuro do município, através de um projeto sério e consensual.

Pretendo ser imparcial, e de fato não emito opiniões de cunho partidário ou por empatia, eis porque me fixei na crítica isenta a Geraldo Melo, para em seguida destacar a sua opção.

Creio – é um ponto de vista pessoal – que Geraldo Melo tem todas as condições de promover esse Ceará-Mirim que se desenhará a partir de projetos consistentes. Ele, pessoalmente, e só ele, descompromissado com projetos oligárquicos, com a visão de estadista que teve como governador, destacando-se como administrador capaz e técnico brilhante.

Que tal Geraldo Melo candidato a Prefeito, como proposta de coalizão das mais expressivas lideranças da classe política e sociedade civil organizada, comprometidas com um projeto inovador para o município? Um pacto que transborde o interesse partidário e se firme como um plano de revitalização e de desenvolvimento da sofrida Ceará-Mirim?

É pouco, é pequeno para a grandeza do ex-governador ?

Certamente. Mas o ex-governador, ainda mais amadurecido do que de fato já era, faria um exercício de humildade aceitando esse encargo que poderá até deslustrar o seu currículo, mas que encerrará a conta corrente em que é devedor do município. E o seu sacrifício pessoal, somado ao resgate da sua dívida moral e política, será recebido com muito gosto pela população do vale.

Ceará-Mirim é generosa e saberá compensar quem a conduzir ao encontro do seu verdadeiro destino, através de um choque de gestão, inaugurando-se uma nova modelagem econômica com visão regionalista, além e acima da tradicional administração feijão-com-arroz Quem sabe o que o futuro reserva aos bons administradores?

Lomanto Júnior, Prefeito de Jequié na Bahia nos anos sessenta, chegou ao governo do seu estado, projetado por uma administração modelar. Rosalba Ciarlini notabilizou-se pelos seus feitos quando Prefeita de Mossoró. Agripino e Garibaldi sairam da Prefeitura de Natal para o governo.

Não são exemplos estimulantes?

E não seria extraordinário o renascimento comum de Geraldo e Ceará-Mirim, unha e carne, unidos, interdependentes, devedores e credores um do outro, buscando juntos um novo futuro?

Pedro Simões

10 comentários:

Anônimo disse...

Não entendo um sujeito que se julga inteligente culturalmente poder falar em Geraldo para prefeito. Uma vergonha. Parece um analfabeto político. MELO, PEIXOTO E VARELA NUNCA MAIS!
Renovaçao Já!

Anônimo disse...

Um cara desses vê-se que não conhece o momento da nossa cidade nem as pessoas que sofrem nas mãos de Peixoto e sofreram 20 anos nas mãos de Geraldo Melo.
Para mim não passa de uma tentativa de aproveitar ou se mostrar para a família Melo e para as pessoas que lhes paparicam.
Continue em Natal, já basta as mazelas daqui!
Abs
paula araújo

JUNYOR disse...

Quera ou não quera Geraldo é o único politico que elevou o nome de Ceará Mirim para o estado e para o país e isso vai ficar para sempre na lembrança e na história de Ceará Mirim.

Paulo Tarcísio Cavalcanti disse...

Sei, não viu, João. Esse artigo de Pedro Simões bota lenha na fogueira da política de Ceará-Mirim.

Anônimo disse...

MELO NUNCA MAIS.

Anônimo disse...

Ja disse e repito. Ele foi o unico que levou o nome, no entanto levou a cidade da terceira economia do estado para a posição dentre as piores entre as grandes do RN.
Isso para mim é falta de politico ou falta de vontade de ajudar o povo a crescer e desenvolver!
Deixa ele, a mulher, santa da pau oco, ou o filho maluco porque sei que MELO nunca mais!

PEDRO PAULO disse...

Gostei muito do texto do Dr. Pedro Simões,não falo especificamente do quadro político que ele desenhou,mais da importância dessa reflexão que o jornalista Cassiano Arruda passou, não só para ele e sim para os Cearamirinenses acordar!

GUILHERME disse...

MELO E PEIXOTO NUNCA MAIS PELO BEM DE CEARA MMIRIM.ACORDA MINHA GENTE ESSE POVO JÁ FEZ O POVO DE BESTA,AGORA É HORA DE DÁ O TROCO.

Anônimo disse...

eu ja fui chamado de otário imbécil e outras cozas mas aqui nesse blog e numca esquentei a biela, pois quem tá no fogo é pra se queimar e eu sei que esses comentários não são de sentimento próprio são simples resenhas de bolgueiros, é que eu fiz um comentário aqui e não foi postado.

Anônimo disse...

João, essa alma quer reza. Conheço de perto e suas evidencias. Nossa terra merece coisas melhores, essa conversa dos Melos, etc., tem angú no prato, precisamos não nos vender de pronto. Politica só no próximo ano, o resto se tiverm coragem que se decida agora, diga o que quer e para que veio. Essa coisa de Academia de Letra, soa outras coisas. Cuidados, muito cuidado mesmo, não confundir, alhos com burgalhos. OBG