domingo, 21 de janeiro de 2018

PAPUDA: A VIDA DE MALUF NA PRISÃO

Um mês no cárcere: a vida de Paulo Maluf na Papuda
 
Rafaela Felicciano/MetrópolesNo dia em que Paulo Maluf deixou a mansão construída pela sua família no Jardim América, bairro nobre paulista, com destino à Polícia Federal, o promotor de Justiça por 17 anos Sílvio Antônio Marques disse à imprensa: “Aquela velha história do ‘rouba, mas faz’ acabou. Agora é ‘rouba, faz e vai preso’”. A frase parece resumir a trajetória do deputado federal e ex-prefeito de São Paulo que, aos 86 anos, cumpre, desde o dia 22 de dezembro, pena em regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Na Papuda, complexo prisional notório por abrigar presos condenados por crimes de corrupção, Maluf ocupa a cela 10 da Ala B, no Bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP), a chamada “Ala de Vulneráveis”. No local, encontram-se detidos políticos, ex-policiais, idosos e sentenciados com ensino superior que podem correr riscos caso confinados com os demais internos.
A cela de cerca de 30m², construída para abrigar seis detentos, é dividida com o homem apontado como chefe da Máfia dos Concursos no Distrito Federal, Hélio Ortiz; o holandês Frank Andy Edgar Uden, preso preventivamente por tráfico de drogas, e o médico Maikow Luiz de Araújo, atrás das grades por associação com o tráfico.
5kg a menos
No cárcere, o idoso considerado um dos políticos mais influentes do país passa o dia assistindo televisão. Pela manhã, por breve período – entre 30 minutos e uma hora –, ele desfruta do banho de sol. Maluf tem direito a quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, jantar e lanche noturno. A marmita é quase a mesma recebida pelos outros 15,7 mil internos das unidades prisionais do Distrito Federal – as empresas fornecedoras fazem uma adaptação para os internos idosos e com problemas de saúde.
O deputado, no entanto, não se adaptou ao cardápio da Papuda: queixa-se de já ter perdido 5kg desde que chegou ao presídio brasiliense e, por vezes, prefere itens vendidos na cantina do CDP, como minipizza, refrigerante e café. A alimentação é complementada por frutas levadas pela equipe de advogados que o visita diariamente.
O ex-prefeito pode receber, às quartas e quinta-feiras, visitas de familiares. Mas prefere, contudo, manter-se reservado no seu contato com conhecidos. Pelos advogados, o parlamentar comunica-se com parentes e amigos por meio de recados. No Natal, celebrado atrás das grades, uma carta escrita por um dos netos emocionou Maluf. Na mensagem, lida para o político por seus defensores, o jovem menciona sua admiração pelo avô e pede para que ele “mantenha a cabeça erguida.” 

Metrópole

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