sábado, 11 de março de 2017

RN: UNS COM TANTO E OUTRO SEM NADA

No RN, falta dinheiro para a saúde, mas sobra para juízes, promotores e deputados

Apesar do quadro emergencial que passa setores públicos do estado do Rio Grande do Norte, os poderes judiciário e legislativo apresentam folgas em suas peças orçamentárias. Em informações obtidas através do Portal da Transparência, a soma das sobras orçamentárias (superávit) do Ministério Público do RN, da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça chegam a um valor de quase R$ 298,9 milhões de reais.
Os órgãos, que justificam a utilização desse saldo positivo em futuras despesas orçamentárias, ainda não se colocam como suporte a crise econômica que passa o Executivo. E mesmo com a aprovação pela Assembleia, em janeiro, da doação de 50 viaturas policiais, no valor total de R$ 5 milhões, e de 85 ambulâncias, sem valor informado, o Governo ainda não recebeu nada do declarado.
Enquanto essas sobras são utilizadas para fins próprios dos poderes, um estado de emergência já atinge o Rio Grande do Norte. Em uma avaliação sobre como está a saúde pública do Estado, o coordenador do Sindicato dos Servidores em Saúde do RN (SindSaúde), Manuel Egídio, afirma que o quadro é de “sobrecarga de trabalho, alta demanda, déficit de pessoal e falta de insumos e materiais”.
Sobre a segurança pública, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Paulo César, diz que as delegacias continuam sucateadas, precisando de reformas estruturais e equipamentos. “Coletes já estão vencidos, outros prestes a vencer. Algemas e pistolas não tem para todo mundo. Há policiais no interior trabalhando com revólveres, isso não é mais admissível nessa altura do campeonato, enquanto um bandido vem com fuzil”, diz. Outro setor que também passa por grandes dificuldades devido à falta de investimentos e recursos públicos é a educação no Estado. A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sinte), Fátima Cardoso, aponta dois problemas graves: a falta de professores, pela suspensão de suas convocações pelo Tribunal de Contas; e a estrutura e infraestrutura das escolas.
Diante desse quadro, o Governo do RN já entrou com ações para liberação de alguma das verbas. A exemplo disso ocorreu com o arrecadado pelo Poder Judiciário que fez o governador Robinson Faria (PSB), em novembro do ano passado, solicitar a liberação do superávit financeiro do Poder, avaliado na época em R$ 571,3 milhões.
Mesmo assim, o atual presidente do Tribunal de Justiça, Expedito Ferreira, recua quanto as intenções de Cláudio Santos em doar, ano passado, R$ 100 milhões aos cofres do executivo: “Foi uma decisão pessoal do desembargador Cláudio Santos. Nenhum juiz, nenhum magistrado, nenhum desembargador é a favor do repasse do dinheiro”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Juízes são deuses. Deputados só servem pra criar meios de tirar dinheiro do cidadão. Alguém acredita que vão devolver pra o povo? Assembleias e tribunais são aberrações desse Brasil fuleiro.