quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A SAGA DO VERANISTA POTIGUAR - POR NILSON PINTO

A Saga do veranista potiguar

* Por Nilson Pinto, veranistas de Muriú há mais de 50 anos.


Saudades

A coisa mudou.

O  veraneio era  bem mais simples e mais barato. 

A casa era mobiliada com móveis  de segunda mão: geladeira, fogão, panela, talheres, copos, era uma verdadeira colcha de retalhos. 

E o enxoval? Tudo   roupa usada. 

Nem se falava em perigo. Caco de vidro nos muros nos garantia a segurança. 

Os dias começavam cedo e as farras não  passavam do fim da tarde. 

Papos na varanda, jogo de baralho e cama.

Café da manhã farto, queijos regionais, tapioca, cuzcuz, ovo, bolo, etc.

Banana, laranja, manga,  abacaxi, caju, as frutas faziam parte da dieta na hora do lanche.

Muito banho de mar e Hipoglós era a nossa proteção contra o sol. Bicho de pé era sinônimo de um veraneio de sucesso.  

Na hora  da farra, menino não podia encostar no tira gosto, era só para quem tava bebendo.  

Sangue de Boi com gelo, Pitú, cerveja em  garrafa (2 marcas) e rum Montila faziam a alegria dos bebuns, mas, vez por outra, alguém esnobava com uma garrafa de Balantines.

Refrigerante só nos dias de festa e nos finais de semana. O negócio era refresco.

Nada de tecnologia. A imagem da tela da TV era péssima e acompanhar alguma novela era um martírio. 

Para falar ao telefone,  tínhamos que depender do posto telefônico local, do horário de funcionamento, do humor da telefonista e do tamanho da fila.

Como faltava energia, gelo era uma raridade e não se podia desperdiçar.

A música era de boa qualidade e sempre tinha alguém  que arranhava um violão. O o coral de desafinados estava sempre presente e tinha até  a back voice quando as músicas eram de Vinicius, mas Andanças era a campeã e todos sabiam algum pedaço  da música.  

Chuveiro com água  fria e em um único banheiro da casa.

Nem lembro como as portas aguentavam tantas batidas: toc ,toc, toc!

Tá fazendo o quê? Abra logo essa porta, tá  demorando muito!

Eita, a água acabou e a bomba está quebrada.  

Redes, lençóis, 

toalhas, eram quase comunitárias .

Rolos de filmes eram gastos para registrar as melhores cenas. Nada de retoques ou fotoshop. A ansiedade  para ver as fotos era grande, pois só  revelava quando todo o filme estava usado, isso, quando um desavisado não abria a câmera antes de rebobinar o filme e perdia todas as fotos.

Quem não  viveu tudo isso estranha e pergunta se éramos felizes? CLARO que sim, éramos simples.