domingo, 11 de outubro de 2020

QUE SAUDADE DOS BELISCÕES DE DONA IOLETE LACERDA

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a prefeitura de São José dos Campos, no interior de São Paulo, por causa da atitude de uma professora da creche da cidade com um aluno de 5 anos. A família da criança receberá R$ 5 mil em indenização.

Segundo a denúncia, o menino chegou em casa chorando muito. Ao ser questionado pelos pais sobre o motivo, relatou que havia recebido beliscões da professora. 

Lendo essa matéria, viajei ao passado e voltei ao tempo do curso 'primário' no velho e amável Grupo Escolar Barão de Ceará-Mirim. Na época a diretora era uma 'Xerife', que apesar dos anos terem ficado muito para trás, continua sendo respeitada até o dia de hoje. Apesar dos 'beliscões' continua tendo o meu respeito.

Você que estudou no Grupo Escolar Barão de Ceará-Mirim e não foi 'beliscado' por dona Iolete, não era para ter recebido o diploma de conclusão do curso. Fazia parte da 'grade curricular'.

É bem verdade que naquela época poderiamos chamar a escola de nossa 'segunda casa', e os professores nosso segundo pai. Ouvi muito isso.

No dia que eu era 'beliscado' por dona Iolete era surra na certa ao chegar em casa. Mamãe olhava para meus braços e logo avistava os arranhões, até com vestígios de sangue, algumas vezes, e logo me perguntava: 'o que foi isso?' eu já sabendo o que iria aconteer respondia chorando; 'foi dona Iolete que me beliscou'. De pronto sem procurar saber qual 'crime' que eu teria cometido, ela já respondia; 'não vou perguntar a ela o que você fez, se ela lhe beliscou foi porque coisa boa você não fez'. O final não preciso nem contar.

Se fosse fazer um balanço de quantos beliscões dona Iolete me deu e a Justiça me desse o direito de receber R$ 5 mil por cada um, eu seria um homem rico hoje. 

Mas, não me interessa os R$ 5 mil de dona Iolete. Sabe por que? se alguém merecia receber todos os R$ 5 mil disponíveis no mundo, essa pessoa era ela, a Xerife, a mulher que me ensinou a ser gente. Graças a rigidez do seu comando cresci sem desonrar meus pais, seu José André (Siquilho da Cosern - in-memorian) e dona Ivonete André. Vale salientar que estudei no Barão dos 7 aos 11 anos.

Se um dia eu voltasse no tempo e tivesse que passar por tudo novamente, eu faria sem nenhum ressentimento. 

Os beliscões de dona Iolete na minha vida valeram ouro. 

Que saudade dos 'beliscões' de dona Iolete Lacerda.

Obrigada, minha eterna diretora!

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