terça-feira, 9 de junho de 2020

DF: JUSTIÇA MAIS UMA VEZ PROTEGE UM BANDIDO

DF: suspeito de abusar de jovens em igreja dizia que Jesus era homossexual

ElithonA Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ouviu cerca de 30 pessoas, entre vítimas, testemunhas, familiares de Elithon Carlito Silva Pereira, 30 anos, para indiciá-lo por dois estupros qualificados. Entretanto, ele responderá em liberdade. A corporação chegou a pedir a prisão preventiva do autor, mas a Justiça indeferiu.

Pelo menos 12 jovens com idades entre 14 e 21 anos se apresentaram à 20ª Delegacia de Polícia (Gama) para denunciar Elithon como autor de abusos sexuais. Os crimes teriam começado em 2017.

Os investigadores traçaram o perfil do autor e identificaram um homem articulado, meticuloso e detalhista. O depoimento das vítimas também ajudou a delinear o modus operandi no momento de abordar e abusar dos adolescentes. As vítimas tiveram narrativas semelhantes.

O suspeito usava o poder e o conhecimento da religião e procurava um momento de vulnerabilidade dos jovens. Tom – como o homem é conhecido na comunidade católica do Distrito Federal – trabalhava como líder de liturgia da Paróquia Nossa Senhora da Aparecida, no Gama. Ele planejava cursos individuais de orientação religiosa apenas para os garotos e dispensava as menina, ignorando-as.

De acordo com a PCDF, o rapaz pregava que Jesus Cristo era homossexual e dava conotação religiosa para conversas sexuais que mantinha com os jovens que integravam o grupo da igreja.

“Os jovens acreditavam muito nele, pois tinha curso de filosofia e teologia”, explicou o delegado Renato Martins, da 20ª DP. A maioria dos abusos contra as vítimas ocorria durante os encontros, sempre na parte da noite. De acordo com o delegado, Tom esperava os rapazes dormirem, depois deitava na mesma cama que eles, se masturbava e tocava os órgãos sexuais das vítimas.

“Ele consumou o estupro contra dois adolescentes de 14 anos”, disse o delegado. Esses encontros ganharam o apelido de “reunião dos cuecas”, entre o grupo da igreja, pois só garotos participavam. O autor foi ouvido em duas oportunidades, mas exerceu o direito constitucional de se manter em silêncio.

A reportagem entrou em contato com Elithon para comentar as acusações, mas ele não respondeu. O espaço está aberto para manifestações.

Live

O caso veio à tona durante uma live da banda de Elithon, realizada no dia 17 de maio. “Durante a apresentação, apareceu um comentário chamando ele de pedófilo e estuprador”, relata.

Após a repercussão, Elithon teria chamado membros do grupo que ele comandava e pedido desculpas por certas condutas. Revoltados, alguns dos participantes entraram em contato com o padre responsável pela paróquia onde o suspeito morava – o religioso encaminhou o caso à Polícia Civil do Distrito Federal.

O Metrópoles também revelou que o investigado tentou uma vaga no Conselho Tutelar da cidade no último pleito realizado: teve, ao todo, cinco votos (confira na galeria abaixo).

Homem usando microfone
Reprodução de resultado dos Conselhos Tutelares do DF

Repercussão

Fiéis da congregação ouvidos pela reportagem relatam que, após a denúncia, Tom deixou o ministério e passou a morar na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Gama, a convite do padre da igreja.

O delegado esclarece que a igreja foi pega de surpresa. “Era uma pessoa de confiança, que morava em um quartinho lá. Ajudava o padre em várias coisas”, diz Renato Martins. O próprio pároco do templo teria levado Elithon às autoridades policiais: segundo a Arquidiocese de Brasília, o religioso prestou todos os esclarecimentos e tem colaborado com os investigadores.

Em nota, o comando da Igreja Católica na capital repudiou o caso, ressaltou que nem o padre nem sua congregação tem relações com os supostos crimes, e afirmou só ter tido conhecimento das denúncias após elas começarem a ser registradas na Polícia Civil.

Também em nota, o Ministério Vida e Luz, do qual Tom fazia parte, confirmou ter tomado conhecimento das acusações apresentadas contra o suspeito e pontuou que Elithon está desligado de todas as atividades religiosas.

Ainda no documento, a entidade afirma que aguarda o fim das investigações para se pronunciar. “O ministério coloca-se à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento”, diz trecho da nota.

Metrópoles

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