sábado, 15 de fevereiro de 2020

SEGUNDO MADURO BOLSONARO QUER 'GUERRA'

Maduro acusa Bolsonaro de arrastar Brasil para 'conflito armado' contra Venezuela

Presidente venezuelano Nicolas Maduro durante discurso no Palácio Miraflores, em Caracas Foto: Fausto Torrealba / REUTERSO presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou, nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro de levar o Brasil a um "conflito armado" contra a Venezuela, o que usou como justificativa para exercícios militares que serão realizados no fim de semana.

Maduro fez referência a um ataque de militares desertores a um quartel da Força Armada venezuelana no estado Bolívar, que fica na fronteira com o Brasil, em 22 de dezembro. Na ocasião, um agente morreu e fuzis e lançadores de foguetes foram roubados. Seis militares foram presos na ação e outros cinco pediram refúgio ao Brasil.

— Bolsonaro está arrastando as forças militares do Brasil para um conflito armado contra a Venezuela, ao amparar um grupo de terroristas que atacou um quartel militar venezuelano — disse Maduro.

Maduro disse que Bolsonaro, a quem tachou de "fascista", "está por trás das ameaças terroristas contra a Venezuela, embora os militares brasileiros não se prestem a isso". 

— Há terroristas no território brasileiro preparando ataques e incursões militares contra a Venezuela. E nós temos direito de nos preparar — acrescentou, justificando assim os exercícios militares 
previstos para sábado e domingo.

Logo após o ataque ao quartel, o ministro venezuelano de Comunicação, Jorge Rodríguez, disse, sem apresentar provas, que os invasores “receberam a colaboração do governo de Jair Bolsonaro”. O grupo também teria, segundo ele, recebido o apoio de indígenas. Além disso, o governo venezuelano afirmou que os invasores foram treinados em “acampamentos paramilitares plenamente identificados na Colômbia".

Na época, a Venezuela pediu a extradição dos cinco militares que se refugiaram no Brasil, chegando a dizer que eles teriam trazido armas roubadas para o território brasileiro. Porém, o Itamaraty respondeu que iria ignorar o pedido para entregar os soldados. Em nota enviada ao GLOBO, o Ministério das Relações Exteriores disse que o Brasil não tinha "satisfações a prestar ao regime ilegítimo venezuelano sobre a presença de nacionais venezuelanos em território nacional".

O Brasil é um dos 50 países que consideram ilegítimo o segundo mandato de Maduro e reconhecem o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino.

Escudo Bolivariano

Segundo o venezuelano, 2,3 milhões de combatentes da Força Armada Bolivariana e da milícia — corpo civil que faz parte da estrutura militar do país — serão mobilizados no exercício Escudo Bolivariano 2020. Maduro afirmou que as manobras incluirão "sistemas de mísseis terra-ar, terra a terra, os sistemas de foguete, todas as formas de defesa antiaérea, aérea e terrestre".

O dirigente reiterou seu pedido a Donald Trump para não se deixar "enganar" por "falcões" e pela oposição venezuelana, dias depois de o presidente americano receber Guaidó com honras de chefe de Estado e lhe prometer "esmagar a tirania" de Maduro.

A reunião com Trump foi o ponto máximo de uma turnê internacional de Guaidó, que deixou o país burlando uma proibição judicial. No retorno, Juan José Márquez, tio do líder opositor, foi detido no aeroporto.

— No dia em que os tribunais da República derem a ordem de prender Juan Guaidó por todos os crimes que cometeu, ele irá para a prisão. Este dia não chegou, mas chegará — alertou Maduro.

As declarações de Maduro nesta sexta-feira foram feitas durante entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas. O presidente venezuelano se reuniu com jornalistas para falar que irá avaliar qual será a resposta que dará aos governos dos embaixadores que se encontraram com o líder opositor no aeroporto de internacional de Maiquetía.

O Globo

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