sexta-feira, 15 de novembro de 2019

ALIANÇA DE BOLSONARO DEVE RACHAR PSL

Dos 53 deputados do PSL, 26 devem ir para novo partido de Bolsonaro

Resultado de imagem para partido de bolsonaro aliança pelo brasilA saída do presidente Jair Bolsonaro do PSL vai rachar a bancada do partido na Câmara. Projeção feita pelo GLOBO aponta que 26 dos 53 deputados federais da sigla devem acompanhar o presidente para fundar a Aliança pelo Brasil. Outros 27 indicam que vão permanecer nos quadros da legenda, enquanto dois ainda não decidiram qual rumo vão tomar. Se a criação do partido de Bolsonaro for adiante, a tendência é que as forças de centro se fortaleçam ainda mais no Congresso. Com a base esfacelada, o governo pode ter mais dificuldades na relação com o Legislativo.

Após a publicação da reportagem, os deputados Luiz Lima e Daniel Freitas afirmaram que vão sair com Bolsonaro para formar o novo partido. Os deputados não tinham sido localizados até então e bolsonaristas e bivaristas diziam contar com o apoio deles.

A possível migração vai alterar a dinâmica da negociação política. O PSL, segundo maior partido da Câmara, passaria a ser a nona maior bancada, caso os deputados hoje indecisos decidam continuar no partido, enquanto a Aliança pelo Brasil ficaria com a 12ª posição. O PL, integrante do centrão — que reúne ainda PP, DEM, Republicanos, PTB, PSD e Solidariedade —, seria alçado à segunda bancada, atrás do PT. O bloco informal soma mais de 250 votos na Casa.

Há matérias empacadas na Câmara consideradas bandeiras por Bolsonaro, como o projeto que flexibiliza regras de trânsito. A reforma administrativa que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende enviar é outra pauta com grandes chances de dispersão de apoios. Uma derrota recente ao governo imposta pelo centrão foi a votação do projeto de armas, que acabou desfigurado. Outro tema que pode ter o mesmo destino é o pacote anticrime, do ministro Sergio Moro.

Deputados que indicaram permanecer no PSL dizem que vão apoiar a pauta econômica e de costumes do governo, mas não terão a obrigação de seguir as orientações do Palácio do Planalto. A ex-líder do governo no Congresso Joice Hasselmann (PSL-SP) tem dito que “aliados não podem ser feridos de morte”. Apesar das fissuras, apoiadores de Bolsonaro insistem que a divisão será irrelevante para a articulação política.

— Todos que vão ficar no PSL, de uma certa forma, são Bolsonaro. Há um ou dois que não são. Na reunião que tivemos com o presidente, ele inclusive nos disse que não era para atacar o PSL. Pode ter uma louca como a Joice, que pode votar contra, mas acho que vão votar com o governo — diz Bibo Nunes (PSL-RS).

Em lado oposto a Bolsonaro, o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, aproximou-se de deputados do centrão e tem negociado nos bastidores uma fusão a legendas do bloco. Ontem, a deputada estadual Janaina Paschoal (SP), um dos principais nomes do PSL, afirmou que só cogita deixar a sigla se houver fusão:

— Sim, eu permaneço. Só saio se houver fusão — disse.

O Globo

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