sexta-feira, 6 de setembro de 2019

MACAÍBA: POLICIAL LIBERA FILHO E SE ENTREGA

Policial Militar se entrega após manter filho refém por quatros horas em Macaíba

Após ser liberado pelo pai, o menino foi recebido pela mãe na delegacia que fica em frente onde ocorreu o sequestro
A rotina dos moradores no centro de Macaíba foi alterada na tarde de ontem, quando, por volta das 17 horas, um policial militar fez o próprio filho de refém. O menino de seis anos ficou quatro horas sob a mira de arma de fogo na escadaria da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no Largo Cônego Estevam Dantas.

Às 21h08 o homem identificado como Hermano Simplício Mangabeira de Araújo, policial militar do Rio Grande do Norte, entregou-se à Policia e em seguida foi conduzido à Delegacia de Macaíba.

O policial militar Hermano Simplício, após passar por procedimentos na delegacia, foi encaminhado ao Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da PM) após o desfecho da ocorrência no centro de Macaíba. “Nosso policial está sob cuidados médicos. Vamos dar todo o apoio para averiguar as questões da patologia psicológica que ele sofre, e saber o que de fato aconteceu para que tomasse essa medida extremada”, disse o Ten. Cel. Eduardo Franco, responsável pelo setor de Comunicação da Polícia Militar do RN.

Franco adiantou que a Polícia Civil irá “tomar todas as providências” judiciárias e que o policial Hermano Mangabeira, que está na ativa mas afastado por problemas médicos, “irá responder judicialmente pelos atos”.De acordo com o porta-voz da PMRN, a criança chorou em alguns momentos, em outros dormia profundamente, e era sempre consolada pelo pai “apesar da circunstância tão adversa. Durante toda a operação tivemos todo o cuidado para que o desfecho ocorresse sem anormalidades”.

De acordo com informações de familiares da mãe do garoto, o casal passava por um processo conturbado de separação. Ainda segundo a fonte, havia medida protetiva contra o policial - que deveria manter distância mínima de 200 metros da ex-esposa e do filho.

Viaturas da PM-RN, do Batalhão de Operacionais Especiais (Bope) e da Companhia de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE) cercaram o perímetro, e o delegado de Macaíba iniciou a negociação que continuou com um especialista para que a situação fosse resolvida da melhor maneira.

Além do efetivo postado no entorno da Igreja Católica de Macaíba, e de equipe que tentava negociar com o homem que mantinha o filho, atiradores de elite ficaram posicionados em uma laje a cerca de 150 metros do local.

Por conta do histórico de violência doméstica, em portaria de nº 073/2018, publicada no “Diário Oficial do Estado” de julho desse ano, o Comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte havia determinado a cassação do porte de arma de fogo funcional do soldado Hermano Mangabeira, “conforme decisão judicial, datada de 04 de agosto de 2017, do juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Parnamirim”, na Região Metropolitana de Natal (RMN).

A portaria determinava que em 24 horas, “a partir da data da publicação da presente portaria”, o policial entregasse “as armas particulares que possuir à Diretoria de Apoio Logístico – DAL/SSMMB, e as armas institucionais que porventura estejam cauteladas em seu nome sejam entregues no setor de material bélico de sua OPM”. A portaria é assinada pelo então comandante da PM-RN, coronel Osmar José Maciel.

O assessor de Comunicação Social da PM-RN, tenente-coronel Eduardo Franco, chegou a dizer para os repórteres que acompanhavam o caso no local, que “alternativas táticas não estavam sendo utilizadas” até por volta das 21h de ontem. “O objetivo da Polícia Militar era preservação de vidas e estabelecer uma linha de negociação e vamos até o fim com as negociações”.

O assessor da PM-RN chegou a acrescentar que “foi montada uma linha de diálogo, capitaneada pelo negociador que está atuando na ocorrência”, como também dado todo o suporte necessário “e em especial para a criança”, a fim de que ela tivesse “o menor sofrimento em decorrência dessa ação”.

Ele insistia em não dar o nome, oficialmente, do policial militar, bem como o de familiares, “pra que não interferisse no processo de negociação”.

TN

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