sexta-feira, 12 de julho de 2019

RN: CIDADES AINDA SOFREM COM A SECA

182 mil pessoas de 113 municípios dependem da água de carros-pipa

Municípios do Alto Oeste estão dentro do programa de atendimento por carros-pipa. São duas cidades e 113 áreas rurais em situação de colapso de abastecimento
Após um ano de boas chuvas no semiárido, o Rio Grande do Norte ainda tem 113 municípios, com suas áreas rurais, dependentes do abastecimento de água com carros-pipa. O fornecimento é feito pelo Exército, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional, enquanto que as áreas urbanas, que dependem deste serviço, são abastecidas pela Defesa Civil do Estado e estão apenas com dois municípios necessitando do programa. 

A diferença entre essas duas áreas é que as cidades têm o abastecimento via Caern e, quando não há colapso, não há necessidade dos carros-pipa. Duas cidades em colapso de abastecimento, Paraná e São Miguel, atualmente, aguardam a aprovação de um novo plano enviado à Secretaria Nacional de Defesa Civil, que coordena a operação no País, para poder receber água deste programa. A Operação Carro-pipa garantiu o abastecimento às cidades nesta situação do Estado durante os últimos anos de seca.

As áreas rurais, mais castigadas no que se refere ao abastecimento humano, continuam sendo atendidas pelos carros -pipa do Exército. São 113 municípios localizados no Semiárido, e aproximadamente 182 mil pessoas em mais de 6.800 pontos de abastecimento. O Exército contrata 419 pipeiros para as atividades de transporte da água. Para a logística da distribuição da água são utilizadas quatro unidades militares, com acompanhamento dos militares no planejamento da distribuição, fiscalização da operação e contato com a Comissão Municipal de Defesa Civil para a definição dos beneficiários do programa e local de abastecimento. Toda a Operação é regulada pela Portaria Interministerial no 1, de 25 de julho de 2012. Os custos desta operação das áreas rurais não foram repassados pelo Comando da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada e até o fechamento desta edição não obtivemos respostas do Comando Militar do Nordeste, em Recife. 

Cidades 

Para abastecer as duas cidades em situação de colapso, de acordo com o chefe da Defesa Civil do Estado, coronel Marcos Carvalho, o plano teve que ser reenviado à Secretaria Nacional para ser reavaliado depois que o município de Pilões, no Alto-Oeste potiguar, saiu do colapso e passou a ter uma adutora operante. "No último mês, tivemos a ativação da adutora de Pilões, que estava sem água há mais de sete anos. O plano detalhado de resposta prévia original previa a cobertura de três municípios mas, em virtude da saída oficial de Pilões do colapso, tivemos que reformulá-lo e enviar novamente para Brasília", explica o coronel. 

Atualmente, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) está trabalhando para restabelecer a rede de encanamento de Pilões que, após sete anos sem receber água, vai precisar de ajustes para voltar a operar plenamente. 

Em junho, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil autorizou o repasse de R$ 1,9 milhão para a execução da operação. O novo plano foi enviado no dia 19 daquele mesmo mês à Secretaria, e permanece no aguardo de aprovação. "O plano continua aprovado, mas está aguardando a conclusão da reanálise para reativarmos a operação", diz Carvalho. Além do R$ 1,9 milhão previstos para a contratação de 22 caminhões-pipa, cerca de R$ 500 mil também devem ser empenhados para o monitoramento da operação, o que inclui o rastreamento dos caminhões e suas rotas. 

Apesar de aguardar a retomada da operação, o comandante afirma que a ideia é reduzir gradativamente a dependência dos municípios à utilização dos carros-pipa, à medida em que as adutoras forem voltando à atividade. "Desde o início do ano, o Governo vem trabalhando junto ao comitê de segurança para zerar a operação de carros pipa, inicialmente nas áreas urbanas e, depois, ir reduzindo gradativamente a dependência dela na zona rural", afirma Marcos Carvalho. 

A Defesa Civil é o órgão responsável pela operação na zona urbana das cidades, enquanto o Exército brasileiro fica com a responsabilidade de distribuir a água na zona rural dos municípios.


TN

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