quarta-feira, 10 de outubro de 2018

PSDB: O QUE SOBRARÁ DAS RUÍNAS?

O PSDB desmorona. O que sobrará nas ruínas?

Bom dia!

Foram muitos os derrotados nestas eleições, mas talvez nenhum maior que o PSDB, que viu sua bancada na Câmara cair de 49 para 29 deputados e não conseguiu eleger nem um governador no primeiro turno. Seis estão na disputa para o dia 28. A debacle do partido ficou clara na reunião da Executiva Nacional ocorrida em Brasília na tarde de ontem (9). Geraldo Alckmin, candidato derrotado à Presidência, e João Doria, candidato ao governo de São Paulo, trocaram acusações. Por trás do bate-boca, a disputa entre o velho PSDB e o Novo. Comentando o fiasco do partido no Paraná, o colunista João Frey recorda os elementos que já apontavam para o cenário de terra arrasada.

De fato, ontem foi um dia de balanço para a maioria dos partidos, que precisam se posicionar na disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O PSDB acabou se declarando neutro na disputa, embora Doria já tenha afirmado que vai apoiar Bolsonaro. Quem também ficou neutro foi o Partido Novo, ainda que se diga “absolutamente” contrário ao PT, e o PP de Ana Amélia, a vice de Alckmin, que entretanto já declarou apoio a Bolsonaro. O PTB de Roberto Jefferson também declarou apoio ao capitão da reserva. Do lado de Haddad, ficaram o Psol, o PDT de Ciro Gomes, “com ressalvas”, e o PSB – cumprindo acordo que tinha feito com o PT antes do primeiro turno.

Quem ganhou

O desmoronamento do PSDB se explica em parte porque agora surge no Brasil um partido de direita conservadora. O PSL era uma agremiação até anteontem sem expressão política e sem grandes quadros técnicos e políticos. Por algum tempo, foi habitado pelo Livres, movimento de viés liberal surgido em 2016, mas em janeiro deste ano foi entregue de bandeja pelo presidente da sigla, Luciano Bivar, eleito deputado federal por Pernambuco, ao grupo político do presidenciável Jair Bolsonaro.

A aposta deu certo: o PSL elegeu 52 deputados federais no domingo (7), quatro a menos que o PT, e pode começar 2019 como a maior força política da Câmara, porque os eleitos por partidos que não passaram pela cláusula de barreira mitigada já estão sondando a migração para a sigla. 

Se o capitão da reserva chegar ao governo federal, precisará de quadros. Executivos da iniciativa privada, alguns até próximos do partido Novo e dos tucanos, já estão sendo considerados pelo grupo de Bolsonaro. Da mesma maneira, Bolsonaro já vai montando seu ministério dos sonhos. Evandro Éboli, que conhece a campanha como ninguém, faz uma lista dos nomes mais quentes para compor o governo. É esperar para ver.

Roseno Barbosa, Gazeta do Povo.

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