segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

CEARÁ-MIRIM: HISTÓRIAS DOS ENGENHOS - POR ACLA

1 - Engenho Capela

O Engenho Capela foi fundado por Francisco Teixeira de Araújo, que era o pai de Bernarda Dantas da Silva, futura Baronesa de Ceará-Mirim.
O historiador Nestor dos Santos Lima, chegou a afirmar que o Engenho Capela teve como seu fundador, Manuel Varela do Nascimento, que se tornou o Barão de Ceará-Mirim. Porém, o também historiador Luís da Câmara Cascudo afirma que ele só adquiriu a propriedade na primeira metade do século XIX, mais precisamente no ano de 1839, após contrair núpcias com Bernarda, filha de Francisco Teixeira de Araújo, seu primeiro proprietário.
Segundo registros, no ano de 1845 mais 04 (quatro) engenhos estavam safrejando no vale do Ceará-Mirim, dentre eles o Carnaubal que é considerado o mais antigo do nosso vale e o segundo mais antigo do Estado do Rio Grande do Norte, juntamente com os engenhos Verde Nasce e o Umburanas.
No ano de 1868, o Engenho Capela fez sua primeira reforma com o intuito de se adequar às novas exigências de produção, no que também objetivava o aumento da produtividade, tornando a mercadoria mais competitiva no mercado açucareiro. A referida reforma fez ampliações e melhorias significativas na área de infraestrutura, possibilitando, nos dias atuais, visualizar-se o arcabouço do conjunto arquitetônico, formado pelo engenho, a casa de purgar, o armazém e a casa-grande.
Em 1895, o Engenho Capela já era propriedade de Manuel Varela do Nascimento, o Barão de Ceará-Mirim e Comandante da Guarda Nacional, que permaneceu no mesmo apenas por três anos.
Em 1898, a sua propriedade foi transferida para o Dr. José Inácio Fernandes Barros, primeiro juiz de direito de Ceará-Mirim.
Com o correr dos anos, diga-se, em 1903, o engenho passou a ter um novo proprietário, na figura de Otaviano Bitencourt, que também permaneceu por pouco tempo no engenho, logo vendendo-o ao coronel Boa Ventura de Sá, um comerciante de Ceará-Mirim, com pouca ou nenhuma habilidade para os negócios da indústria açucareira.
No mesmo ano o Engenho Capela passou a ser arrendado, processo esse que durou muitos anos.
Após longos anos de arrendamento, o Engenho Capela voltou ao domínio da família de Boa Ventura de Sá, desta feita para ser administrado pelo também comerciante e ex-prefeito de Ceará-Mirim, Waldemar Dias de Sá. Nessa época, o engenho deixando de produzir, passou a ter “fogo morto”.
Durante muitos anos, a estrutura do Engenho Capela permaneceu em bom estado de conservação e suas terras produtivas forneciam cana-de-açúcar, como matéria prima para a Usina São Francisco e, depois da fusão, para a Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim.
Hoje o Engenho Capela é apenas uma ruina dentre as demais existentes no vale do Ceará-Mirim.

Foto: Francisco Ferreira (Barão)

Um comentário:

Joventina Simoes Oliveira disse...

Texto elaborado pela Comissão de Redação da ACLA, a partir de pesquisas efetuadas em diversas fontes.